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Mulheres divinas

Por: Ana Torres[ Ver todos ] 
Publicado em: 11/11/2008 20:40:56

A mitologia greco-romana sempre exerceu fascínio sobre nós. No entanto, como um legado cultural riquíssimo de séculos antes de Cristo, nunca nos demos conta de que ela está mais presente em nossas vidas, e até mesmo dentro de nós, do que imaginamos. Deuses e deusas podem estar tão próximos que até refletem a nossa personalidade, nossos comportamentos e relacionamentos. Afrodite, Ártemis, Atena... Descubra a deusa em você!

O célebre psiquiatra Carl Jung foi um dos primeiros a associar as divindades greco-romanas a características do ser humano. Os próprios deuses gregos tinham muitos atributos terrenos - o comportamento, as reações emocionais, a aparência. “Os mitos foram criados pelo homem baseados nele mesmo, dando vazão aos seus conflitos amorosos, familiares, de trabalho e por aí vai. Gregos e romanos podem estar bem longe de nós na linha do tempo, mas, como seres humanos, eles viveram os mesmos dilemas pelos quais nós, hoje, passamos. Os conflitos da humanidade sempre foram os mesmos”, destaca a psicóloga Márcia Bittar, co-autora do livro “Os deuses e o amor” (Prestígio Editorial).

Os mitos, portanto, não são apenas histórias para entreter. “Eles são exemplos do nosso próprio comportamento e na psicologia junguiana são associados ao conceito de arquétipos”, conta o astrólogo Carlos Hollanda. Ou seja, são modelos de comportamento universais. Assim, identificar e conhecer as características das divindades presentes em nós nos permite trilhar o caminho do autoconhecimento, nos levando a refletir sobre quem somos e sobre como nos relacionamos com as pessoas.

A astrologia também bebe dessa mesma fonte, a dos mitos. Cada ser humano vive uma narrativa mitológica pessoal, escrita no mapa de nascimento. “Os atores, o cenário e a trama equivalem aos planetas, signos, casas, aspectos e ciclos”, explica o astrólogo Carlos Hollanda. Segundo ele, certamente existe, também, uma ligação direta entre astrologia e mitologia. “Os deuses e deusas são expressões de nossas características intrínsecas e o mapa astrológico permite realizar uma leitura muito coerente desse ‘livro’ que todos nós somos”, esclarece.

Vênus, por exemplo, é a deusa do amor, da beleza, na mitologia. Ela representa o senso estético, o desejo, o magnetismo e a capacidade de amortecer e mediar conflitos, de unir pólos opostos. “Por isso, a posição em que Vênus está em nosso mapa astral indica o modo como lidamos com esses assuntos e como atraímos e somos atraídos por relacionamentos afetivos, por questões estéticas ou por acordos que visam à satisfação de duas partes”, explica Carlos Hollanda. Já a deusa Atena é a expressão das mulheres que encontram possibilidades de mostrar seu lado racional, estratégico. Ela reflete, assim, características de pessoas do signo de Libra.

Sempre sonhou em ser uma deusa? Na verdade, você é! Veja qual!

Atena (Minerva): deusa da guerra, da sabedoria, das artes e ofícios, Atena era filha de Zeus, tendo nascido da cabeça de seu pai completamente e intelectualmente desenvolvida. A mulher Atena quer chegar ao topo, sendo representada muito bem pelas mulheres executivas. É racional, sóbria e admira homens poderosos, podendo manipulá-los como bem entender. Para o astrólogo Carlos Hollanda, a mulher Atena, junto com a Afrodite, está em alta no mundo Ocidental. “Ela é profundamente racional e competitiva, invencível num mundo machista, mas tem certas dificuldades para manter uma vida a dois ou familiar”, diz Carlos.

Perséfone (Prosérpina ou Cora): deusa que domina o mundo espiritual. Filha de Zeus e Deméter, Perséfone foi raptada por Hades, deus da morte, que se apaixonou por ela. A mulher Perséfone é alegre e transborda jovialidade. Procura o “príncipe encantado”, um homem que a proteja e que a leve para uma vida de sonho. Como mãe, é criativa - conta histórias, inventa brinquedos - e também distraída. É uma mulher madura, apesar de indecisa. Pode ficar deprimida com freqüência.

Hera (Juno): deusa protetora das mulheres, do casamento, das crianças e dos lares. É irmã e mulher de Zeus, mãe dos deuses Hefesto e Ares. Era obstinada, possessiva e poderosa. No entanto, sabia perdoar os deslizes do marido. Para a mulher Hera, o casamento é a principal realização. Ela deseja fidelidade e é ciumenta. A separação, portanto, faz seu mundo desmoronar.

Ártemis (Diana): deusa da castidade, da aventura e dos esportes. É irmã gêmea de Apolo. Indomável, dedicava a sua vida à liberdade. A mulher Ártemis é, portanto, independente e muito ativa física e mentalmente. Detesta injustiça, não admite ser submissa, adora esportes e acha o trabalho interessante.

Afrodite (Vênus): deusa da paixão, da beleza e da virilidade. Nos textos de Homero, é considerada filha de Zeus, mas nos de Hesíodo é dito que ela nasceu da espuma do mar. Era a deusa mais bela, dedicada à paixão aos outros e a si mesma. Casada com Hefesto, o deus do fogo, era infiel a ele. É a mãe de Eros, o deus do amor. A mulher Afrodite tem grande carisma pessoal, esbanja sensualidade e sempre tem algum pretendente. É ligada ao paladar, ao perfume e à música. É sexualmente ardente e ativa, mas costuma ter dificuldade para planejar o futuro, pois está com a cabeça sempre no presente.

“As características de Afrodite são as mais comuns atualmente, uma vez que vivemos em uma sociedade de culto muito forte ao corpo, à beleza e à sensualidade. Podemos inclusive dizer que toda mulher, hoje, tem um pouco de Afrodite - com mais ou menos intensidade”, revela a psicóloga Márcia Bittar.

Deméter (Ceres): deusa das colheitas, da fertilidade. Quando Hades raptou sua filha Perséfone, tornando-a sua esposa, Deméter negou seus poderes e a terra parou de produzir alimentos. A solução encontrada foi que Perséfone passaria alguns meses no inferno, com seu marido, e o restante do tempo com sua mãe no Olimpo. Dessa forma, Deméter tornou a fazer a natureza florescer, dando início às estações do ano. Ela representa, por excelência, o arquétipo da nutrição e da maternidade. Outras deusas foram mães na mitologia, mas a vocação maternal é mesmo desta deusa. A mulher Deméter é, portanto, uma super mãe, além de ser generosa, carinhosa e extrovertida.

Héstia (Vesta): deusa do lar, ela cultivava afetos e nunca estava só. Irmã mais velha de Zeus, Héstia vigiava e cuidava do fogo das cidades e do calor dentro das casas. Assim, passou a representar o calor humano, o aconchego e a caridade. A mulher Héstia não menospreza os homens, como Ártemis, e nem aprecia trabalhar ao lado deles, como Atena. Mas é ela quem confere à casa o sentimento de lar. Não gosta de vida social e nem de chamar a atenção.

As mulheres não apresentam, no entanto, o comportamento de apenas uma determinada deusa. Elas têm características de várias delas. “Uma mulher Afrodite, por exemplo, pode muito bem se tornar Hera, ciumenta e crítica, após o casamento”, alerta Márcia Bittar. Por isso, é importante estar sempre atenta às suas mudanças internas para que você possa encontrar o equilíbrio e ser feliz!


 
 

Colaborador

Ana Torres Ana Torres
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