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Eleições EUA: sonho ou pesadelo americano?

Por: Dimitri Camiloto[ Ver todos ] 
Publicado em: 31/10/2008 12:39:09

Na próxima terça-feira, os Estados Unidos escolherão seu 44º presidente sob imensa expectativa não apenas dos seus cidadãos, mas do mundo inteiro. É certo que os americanos passam por um dos momentos mais delicados de sua história, e a Astrologia apenas confirma isto. Saiba por quê.

Plutão, que dia desses deixou de ser considerado planeta por parte da comunidade astronômica, dá prova do seu enorme valor para a Astrologia quando analisamos casos como o dos Estados Unidos. O mito que corresponde ao seu simbolismo astrológico é o grego Hades*, o deus do submundo e das riquezas dos mortos.

No mapa astrológico dos EUA (04.07.1776, 17:13h, Philadelphia), Plutão encontra-se na casa 2, a área da Mandala referente aos recursos naturais e materiais. Podemos interpretar este dado como representando a força indiscutível da economia norte-americana, mas também por se tratar da nação que mais polui o planeta e, ainda, cujo consumo da população responde por 80% do PIB local. Além do mais, mesmo tendo seus bancos emprestado dinheiro para vários países ao longo dos tempos, é o país mais endividado do mundo.

Plutão é um planeta de órbita muito lenta, que leva cerca de 250 anos para cruzar todo o Zodíaco. Desde a independência dos EUA, a única vez que ele a passou pelo Ascendente americano foi justamente no início da década atual, e uma passagem de Plutão sempre indica risco, transformação, morte, medo e inimigos, mas também oportunidades para regenerar as energias, curar doenças, renascer. Um trânsito de Plutão pelo Ascendente dos EUA simboliza tornar esse planeta “mais visível” para a população e o governo locais e, por extensão, para o mundo.

Isto começa a ocorrer quando George W. Bush, que chega ao poder numa das eleições mais suspeitas do país, sucede Bill Clinton. Após decisões unilaterais em relação ao Protocolo de Kyoto (meio-ambiente) e a OMC (comércio), nas quais os EUA se posicionaram contra a maioria dos países e em prol de seus interesses econômicos imediatos, o país sofreu, paralelamente, o primeiro ataque em seu território no trágico ataque de 11 de Setembro.

A seqüência dos fatos é conhecida: a paranóia de um novo ataque se instalou entre os americanos, que começaram a ver diminuídas suas liberdades dentro de seu próprio território. Os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e o Iraque, guerras que parecem não ter fim. Aos poucos, alguns dos tradicionais aliados do povo americano foram se afastando, uns mais, outros menos, mas num movimento quase que global. Nesse meio tempo, a sociedade americana, com medo, reelegeu George W. Bush e enfrentou a tragédia do furação Katrina.

Às vésperas de George Bush terminar seu segundo mandato, Plutão chega ao signo de Capricórnio, lá permanecendo até meados da década de 2020. Quase a unanimidade dos astrólogos entende que este será um tempo de mudanças profundas no governo dos países, nas economias e nos mercados e no sistema internacional como um todo. Plutão em Capricórnio cria duas alternativas, a saber: ou os impérios, sistemas de poder, instituições financeiras - enfim, os “donos do mundo” - regeneram e renascem, ou irão perecer. Ao que tudo indica, os EUA estão no centro desta encruzilhada.

Outro dado astrológico importante é a oposição - um aspecto tenso - entre o conservador Saturno e o revolucionário Urano, que teve o seu início em setembro deste ano, quando a crise do mercado imobiliário se disseminou pela economia americana e mundial, e se estenderá até meados de 2010. Nesses três anos, haverá três momentos em que a oposição dará as caras e o primeiro é agora, entre setembro de 2008 e março de 2009. Curiosamente, o primeiro dos momentos em que a oposição se faz exata é justamente 04 de novembro, dia das eleições americanas.



A última vez que houve uma oposição entre Saturno e Urano foi no período 1963-68, uma época conturbada e de muitas mudanças nos Estados Unidos. O país vivia a Guerra Fria e o Movimento pelos Direitos Civis, e passava por um transição complicada. Saturno estava em Peixes e Urano em Virgem; agora, é Saturno quem está em Virgem e, Urano, em Peixes. Nas duas ocasiões a oposição envolve Netuno, um planeta diretamente relacionado ao mito do “sonho americano”. Na década de 60, Urano (de natureza revolucionária) estava sobre Netuno, em sintonia com os movimentos populares e da Contracultura que sacudiram o país. Agora, quem está sobre Netuno é Saturno (limites e restrições), indicando que o sonho americano anda distante, e as pessoas cada vez mais estão “caindo na real”.

Nada menos que John e Bob Kennedy, Martin Luther King e Malcolm X foram assassinados entre 1963-68. Num tempo de escassas utopias, os Estados Unidos têm a chance de eleger um presidente negro, algo impensável há poucos anos. O momento é de risco.

Mas, independentemente das conspirações que possam ou não atingir Barack Obama, a oposição Saturno X Urano marca um tempo de dificuldades econômicas e sociais já em curso nos EUA. O ingresso de Plutão em Capricórnio reforça a idéia de que o país está diante de uma grave crise e que o próximo presidente terá enormes dificuldades e muito trabalho pela frente. Plutão (associado à morte e ao renascimento) vem fazendo oposição a Vênus-Júpiter (reservas econômicas e parcerias) dos EUA entre 2008-11. As relações com os aliados e inimigos ficarão cada vez mais tensas, assim como a situação financeira do país. Qualquer que seja o presidente eleito, terá que fazer mágica.




* Hades, filho de Cronos e de Réia, irmão de Zeus e Posídon, era um deus de poucas palavras e seu nome inspirava tanto medo que as pessoas procuravam não pronunciá-lo. Era descrito como austero e impiedoso, insensível a preces ou sacrifícios, intimidativo e distante. Seu nome significa, em grego, o Invisível, e era geralmente representado com o elmo mágico que lhe dava essa habilidade, que ele ganhou dos cíclopes quando participou da titanomaquia contra os titãs. No fim da luta contra os titãs, vencidos os adversários, Zeus, Posídon e Hades partilharam entre si o universo, Zeus ficou com o céu, e a terra, Posídon ficou com os mares e Hades tornou-se o deus do inferno e das riquezas, reinando sobre os mortos. O nome Plutão - "o rico" (pois era dono das riquezas do subsolo) ou "o distribuidor de riqueza" - se tornou corrente na religião romana, mas era também empregado pelos gregos, e apresentava um lado bom, pois era ele quem propiciava o desenvolvimento das sementes e favorecia a produtividade dos campos.
Era também conhecido como o Hospitaleiro, pois sempre havia lugar para mais uma alma no seu reino. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, Hades não é o deus da morte, mas sim do pós-morte. Apenas Ares e Cronos estão relacionados com a prática da morte. Assim, Hades não é inimigo da humanidade, como o são Ares e Cronos. O deus raramente deixava seu mundo e não se envolvia em assuntos terrestres ou olímpicos. Deixou o seu reino apenas duas vezes; uma para raptar Pérsefone, a quem tomou como esposa e outra para curar-se, no Olimpo de uma ferida provocada por Hércules.

 
 

Colaborador

Dimitri Camiloto Dimitri Camiloto
Biografia:
Dimitri Camiloto é astrólogo, com Mestrado em Sociologia e Antropologia pela UFRJ. Desde a década de 80 realiza pesquisas, apresenta-se em congressos e dá cursos e consultas

 

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